O CEO da Allianz Commercial, Thomas Lillelund, comenta: “Após a volatilidade e a incerteza de 2025, as empresas continuam enfrentando riscos interconectados e altamente complexos em um ambiente de rápidas transformações em 2026. Considerando a crescente importância da IA na sociedade e na indústria, não é surpreendente que ela seja o principal fator de variação no Allianz Risk Barometer. Além de trazer enormes oportunidades, seu potencial transformador, aliado à rápida evolução e adoção, está remodelando o cenário de riscos, tornando-se uma preocupação central para empresas de todos os portes em todo o mundo, ao lado de ameaças mais estabelecidas.”
Riscos cibernéticos são, de longe, a maior preocupação das empresas
Em 2026, os incidentes cibernéticos ocupam o topo do ranking global pelo quinto ano consecutivo, com sua maior pontuação histórica (42% das respostas) e com a maior margem já registrada (+10%). O risco lidera em todas as regiões (Américas, Ásia-Pacífico, Europa, África e Oriente Médio). A permanência do risco cibernético no topo do Allianz Risk Barometer reflete a crescente dependência das tecnologias digitais em um momento em que o cenário de ameaças cibernéticas, bem como os ambientes geopolítico e regulatório, evoluem rapidamente. Ataques cibernéticos recentes de grande repercussão reforçam a ameaça contínua para empresas de todos os portes. Pequenas e médias empresas têm sido cada vez mais visadas e pressionadas devido à escassez de recursos em segurança cibernética.
“Os investimentos das grandes empresas em segurança cibernética e resiliência têm dado resultado, permitindo detectar e responder a ataques de forma antecipada. No entanto, o risco cibernético continua evoluindo. As organizações dependem cada vez mais de fornecedores terceiros para dados e serviços críticos, enquanto a IA potencializa as ameaças, ampliando a superfície de ataque e agravando vulnerabilidades existentes”, explica Michael Bruch, Global Head de Risk Consulting Advisory Services da Allianz Commercial.
IA cria riscos emergentes e novas oportunidades de negócios
A IA avançou rapidamente para o grupo dos principais riscos empresariais globais, subindo para a 2ª posição (32%) em 2026, após ocupar o 10º lugar em 2025 — o maior salto do ranking deste ano. Trata-se de um movimento significativo em todas as regiões: 2º lugar nas Américas, Ásia-Pacífico e África e Oriente Médio, e 3º lugar na Europa. O risco também cresce para empresas de todos os portes, entrando no top 3 entre grandes, médias e pequenas organizações. À medida que a adoção da IA acelera e se integra às operações centrais dos negócios, os respondentes esperam que os riscos associados se intensifiquem, especialmente no que diz respeito à responsabilidade civil. A rápida disseminação de sistemas de IA generativa e agêntica, aliada ao seu uso crescente no mundo real, aumentou a percepção de quão expostas as organizações se tornaram.
As empresas veem cada vez mais a IA não apenas como uma poderosa oportunidade estratégica, mas também como uma fonte complexa de riscos operacionais, legais e reputacionais. Em muitos casos, a adoção está avançando mais rapidamente do que a governança, a regulação e a capacitação da força de trabalho conseguem acompanhar”, afirma Ludovic Subran, Chief Economist da Allianz. “À medida que mais empresas tentarem escalar em 2026, enfrentarão maior exposição a problemas de confiabilidade dos sistemas, limitações na qualidade dos dados, desafios de integração e escassez de talentos qualificados. Ao mesmo tempo, surgem novas exposições de responsabilidade relacionadas à tomada de decisões automatizadas, modelos enviesados ou discriminatórios, uso indevido de propriedade intelectual e incertezas sobre quem é responsável quando resultados gerados por IA causam danos.”
Interrupção de negócios fortemente ligada aos riscos geopolíticos
O ano de 2025 marcou uma mudança em direção a políticas comerciais protecionistas e guerras tarifárias que trouxeram incertezas à economia global. Também foi um período de conflitos regionais no Oriente Médio e entre Rússia e Ucrânia, além de disputas fronteiriças entre Índia/Paquistão e Tailândia/Camboja, e guerras civis na África — uma tendência que continua em 2026 com a intervenção dos EUA na Venezuela. Os riscos geopolíticos estão colocando as cadeias de suprimentos sob pressão crescente, mas, apesar disso, apenas 3% dos respondentes do Allianz Risk Barometer consideram suas cadeias de suprimentos “muito resilientes”. Somente no último ano, as restrições comerciais triplicaram, afetando cerca de US$ 2,7 trilhões em mercadorias — quase 20% das importações globais, segundo a Allianz Trade — impulsionando empresas a explorar tendências como friendshoring e regionalização. Esses fatores contribuem para uma alta percepção de risco: 29% dos respondentes apontam a interrupção de negócios como um dos principais riscos, posicionando-a em 3º lugar, apesar da queda de uma posição em relação ao ano anterior.
Como esperado, os riscos políticos e a violência sobem duas posições, alcançando o 7º lugar, sua classificação mais alta até hoje. O risco intimamente relacionado de mudanças na legislação e regulamentação — que inclui tarifas comerciais — ocupa o 4º lugar global, sem alteração em relação ao ano anterior, mas com aumento no número de respondentes, impulsionado por preocupações com o avanço do protecionismo. De fato, a paralisação global das cadeias de suprimentos devido a um conflito geopolítico é considerada o cenário de “cisne negro” mais provável de se materializar nos próximos cinco anos por 51% dos respondentes.
O cenário de riscos na América Latina é atualmente dominado pela transformação digital e pela instabilidade institucional, com a Inteligência Artificial (42%) e os Incidentes Cibernéticos (41%) isolados no topo das preocupações. Esta dualidade tecnológica reflete o temor das empresas quanto à desinformação, vulnerabilidades de rede e desafios de implementação, superando riscos tradicionais da região. Em um segundo patamar, surgem riscos regulatórios (25%), interrupção de negócios (20%) e catástrofes naturais (19%), desenhando um perfil de vulnerabilidade que mistura a modernização acelerada com a histórica volatilidade política e climática do continente.
David Colmenares, Regional Managing Director América Latina, comenta: “Para 2026, a perspectiva é de que a América Latina enfrente uma "convergência crítica" de riscos. A maturidade das ferramentas de IA deve transformar o risco de 1º lugar de uma ameaça teórica para uma crise operacional real, especialmente no que diz respeito a fraudes financeiras e manipulação política em anos eleitorais. Espera-se que a Mudança Climática (7º lugar) suba no ranking, à medida que eventos extremos impactem severamente as cadeias de suprimentos e a infraestrutura, forçando governos a implementarem legislações ambientais mais rigorosas (alimentando o risco de 3º lugar). Além disso, a polarização política e a volatilidade macroeconômica continuarão a atuar como ruídos de fundo constantes, exigindo que as empresas na região invistam pesadamente em resiliência cibernética e planos de continuidade de negócios para sobreviverem a um ambiente de baixo crescimento e alta pressão regulatória.”
Sobre o Allianz Risk Barometer
O Allianz Risk Barometer é um ranking anual de riscos empresariais elaborado pela seguradora corporativa do Grupo Allianz, a Allianz Commercial, em conjunto com outras entidades do grupo. O estudo reúne as opiniões de 3.338 especialistas em gestão de riscos, em 97 países e territórios, incluindo executivos seniores, gestores de risco, corretores e especialistas em seguros. Esta é a 15ª edição da publicação.